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Futuro país

Vancouver Science World

Viver momentos pelos quais seríamos capazes de morrer, essa a melhor definição de um ideal de felicidade. Sou reticente a reconhecer estar morrendo de amores, pois prefiro viver de amores. Venho exercitando isso nos mais recentes quatro anos das minhas bem vividas seis décadas e alguns meses. A reflexão inicial também espelha a experiência adquirida no Canadá durante os trinta dias especialíssimos vividos lá agora em março.

O país norte-americano, além de natureza, fauna e flora exuberantes, está povoado de gente educada, gentil e hospitaleira. Vivemos a rotina deles nas ruas, nos transportes, nos bares, restaurantes, museus e nos polos mais variados de entretenimento e de cultura. E não me parece exagero afirmar, a despeito das raras exceções a confirmarem a regra, se tratar de um povo de educação extrema.

Não me estenderei em detalhes das minhas andanças, pelo risco de imprecisão frente à percepção de cada um. Apenas me obrigo a estimular aos incrédulos a fazerem o mesmo. Trata-se de uma visão muito diferente de vida, sobretudo em relação à segurança e ao direito de ir e vir. Andei por toda a parte em Vancouver e adjacências, nos mais variados horários, sem o mínimo receio.

Ao retornar, passei a conviver com os mesmos problemas do caos nosso de cada dia. Péssimo atendimento generalizado, insegurança, precário sistema de transportes, violência, enfim, as mazelas incorporadas ao nosso cotidiano. Triste mesmo reconhecer estar acostumado a essa tenebrosa situação. Pior, me deixou abalado viver um mês num cenário paradisíaco comparado ao da minha cidade de residência e necessitar voltar.

Já visitara outros países mais desenvolvidos do que o nosso, embora nenhum deles se aproxime da qualidade de vida no Canadá. Talvez por essa razão tenha sido menor o impacto da minha volta em outras ocasiões. Cansei de esperar que o Brasil fosse o país do futuro e vou buscar o futuro em outro país. Confesso estar seduzido pela possibilidade de uma velhice mais tranquila, mais pacífica, mais humana. Trabalhei muito a vida inteira e me julgo merecedor dessa benesse. Só o tempo dirá se será possível.

Diante das minhas constatações, conclui-se com facilidade o porquê da desfaçatez de nossos governantes com a coisa pública. O nosso problema maior reside na educação do povo. Eles são o povo, políticos, governantes, empresários, corruptos, corruptores, etc. O restante passa a ser mera consequência.


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