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Crimes hediondos

Vancouver 10

Convencido de que a melhor saída para o Brasil éo Aeroporto Internacional Tom Jobim, meu filho mais novo mora há quase cinco meses no Canadá. Desde então ele me alimenta de esperanças no ser humano. Ultrapassada a fase descrita por um amigo meu como “período de deslumbramento”, permanecem invencíveis e frequentes os elogios à maioria das experiências vividas por ele e a esposa em território canadense. Raras as críticas e objeções ao modus vivendis em geral. Não bastassem os testemunhos deles “et pour cause”, sob a suspeição discutível dos neófitos, venho acompanhando com atenção especial o noticiário sobre o país adotivo do meu caçula.

Sábado passado assisti ao programa “Como será”, pautando sobre Vancouver.  A abordagem se propunha a apresentar a segunda cidade mais importante do Canadá, atrás apenas de Toronto, como a metrópole mais sustentável do mundo. Vancouver planeja chegar ao posto até 2020, porém já alcançou 80% da meta. A reportagem demonstra com muita objetividade, através de imagens irrefutáveis, diversos exemplos do desenvolvimento maiúsculo daquela cidade.

A natureza foi muito generosa com eles, a exemplo do nosso Rio de Janeiro, com floresta, montanha, mar e lagoa no desenho daquela metrópole canadense. O clima local alterna quatro graus negativos no inverno com os trinta positivos no verão, mas sem impactar na gestão competentíssima dos responsáveis pela cidade. Ao contrário, a excelente administração municipal se alia a uma cultura invejável dos seus moradores. Os cidadãos de Vancouver, muito zelosos com a cidade e sua paisagem fantástica, preservam há décadas um verdadeiro paraíso no Hemisfério Norte.

Em paralelo, convivemos aqui com um caos inimaginável. Os governantes, inescrupulosos por formação e gananciosos em suas pretensões, destruíram um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Foram tão sequiosos no projeto de destruição a ponto de transformar em chacota símbolos mundiais, como o Maracanã, proclamado Patrimônio Mundial da Humanidade e o Cristo Redentor, eleito uma das Maravilhas do Mundo. Isso, dentre outros tantos abandonos de monumentos, de locais paradisíacos e de redutos paisagísticos. Sem falar no sucateamento da Cultura, exemplo dos casos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, do Museu da Quinta da Boa Vista e do Jardim Zoológico, dentre outros. Ou na degradação da Educação, como no caso de escolas públicas e da UERJ.

Pior é encontrar a morte de milhares de pessoas na relação de crimes hediondos dessa gente sem alma. Sim, décadas de assassinatos de cidadãos honestos e trabalhadores, às escancaras da luz do dia ou nas sombras da calada da noite, todos vitimados por desgovernos corruptos e inclementes. Homicídios cometidos, em escala de guerra, pela absoluta falta de segurança; pela negligência de governo após governo com a saúde pública; pela desassistência dos governantes que sequer cumprem seu papel de remunerar aos servidores. Nem mesmo aos idosos, aposentados após dedicarem suas juventudes, enfim, suas vidas quase inteiras ao serviço público, em cujas velhices não merecem cuidados básicos, alimentação adequada ou medicação primordial.

E esses canalhas se revezam, alternando no poder partidos, ideologias, correntes políticas antagônicas, até religiosos, sempre com desculpas esfarrapadas e hipócritas, sorrisos enganadores e promessas de campanha, tribunos da mentira, fomentadores da alienação alheia. Quando surpreendidos em sua atividade criminosa, cumprem um período de recesso de seus saques, para retornarem em breve à ilicitude e ao jugo de um povo sofrido.

Até quando?


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