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Em 2018, valei-me, Pai Oxalá!

O que esperar do Brasil e do seu povo para 2018, se 2017 termina com a festa do Revéillon no Rio, de repercussão mundial, cujos protagonistas aguardadíssimos pela multidão serão a Anitta e o Pablo Vittar? Se no amistoso de futebol de maior relevância, o do Zico, convidam o Adriano na esperança de resgatá-lo e ele não aparece na hora marcada? E, apesar do atraso de meia hora do ex-jogador em atividade, 46 mil pessoas o receberam com o coro “O Imperador voltou”. O que esperar do presidente da república, de seus ministros e de seus aspones, trapalhada após trapalhada, encerrando o ano com o seu indulto/insulto de Natal? E do STF soltando os presos que a Lava-Jato prende?

Falta vergonha na cara ao brasileiro, pouco importando a mudança do ano na folhinha. Isso é um mero detalhe inventado pelo Papa Gregório, quando as mazelas e os interesses eram diferentes. Esse tempo, dito efêmero por alguns e cruel por outros, se constitui numa variável insignificante num cenário dantesco.

O inferno seria paradisíaco comparado ao verão carioca num barraco de qualquer comunidade metralhada dia sim e outro também. Perde-se filhos e filhas, irmãos e irmãs, pais e conhecidos, em meio a uma guerra fratricida comandada pelos facínoras e perpetuada pela inexistência de segurança. Não há respeito algum pelas autoridades, pois, quando não estão nas cadeias, são meros espectadores ou cúmplices dos desmandos aos quais nos acostumamos.

E que tal votarmos em gente decente e nos indignarmos, reagindo com extrema intolerância e vigor a cada agressão institucional ou não? Ou vamos nos manter passivos, deixando a um dígito novo, o algarismo 8 do ano vindouro, a responsabilidade pela mudança? Quem sabe aumentando os barcos e as oferendas a Iemanjá as coisas se resolvam a contento? Ou orando a outros ícones da religião predileta? Somos relapsos, inertes, patéticos, aguardando por divindades a nos escudarem a covardia e a acomodação de deixar como está.

Enquanto isso, os ricos ficam mais ricos, os pobres ficam miseráveis e sem dignidade, optando em viver do crime, como os exemplos nas comunidades mais humildes e nos diversos níveis de poder do colarinho branco. Caso algo não dê certo e “se puxe uns anos de cadeia”, vem o indulto/insulto de Natal e nos reduz a pena.

Então tá.

Feliz 2018.

Acuda, Liga da Justiça!

Salve Jesus Cristo, Oxalá, Javé, Buda e Krishna!

Não em 2018

Ao pensar no Facebook, no Whatsapp ou em qualquer outra mídia para desejar Boas Festas aos meus amigos e amigas, levei alguns minutos meditando sobre o que escrever. Os clichês do espírito natalino e os desejos de um 2018 melhor do que 2017 e pior do que 2019 não vêm funcionando ano após ano.

Ando pelas ruas, pelo comércio, pelos diversos lugares e vejo pessoas desanimadas, com um semblante triste, raros sorrisos. Até o clube que amo desde a mais tenra infância me trouxe cenas lamentáveis há uma semana, com o envolvimento de marginais travestidos de torcedores em total desrespeito à autoridade e às regras básicas do comportamento.

As notícias estão cada vez mais desalentadoras, as perspectivas sombrias, o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo passam por um momento muito grave, sem líderes, sem justiça, sem horizonte.

A espécie humana parece ter chegado a um grau de desamor, de desrespeito extremo, que nem mesmo a lavagem cerebral da fé mercantilista consegue as habituais miragens de reversão. A desesperança começa a se inseminar em doses maiores e já flui com certa naturalidade entre as pessoas.

Mas a vontade de expressar Boas Festas aos meus amigos e amigas é assim uma iniciativa indômita, uma força da natureza, uma centelha incontrolável da mais profunda essência do meu ser. Maior do que a minha descrença na Humanidade, mais poderosa do que as intermináveis revelações do insucesso desse projeto chamado homem.

E apesar do gosto amargo desse drinque, sou impelido a propor um brinde. Um virtual tilintar de copos, capaz de replicar, nas proporções gigantescas e inesgotáveis da internet, numa frequência de onda desconhecida, tocando as mentes, os corações e as almas de todos, sem exceção.

Dos que terão e dos que não terão a sede saciada; dos superalimentados e dos famintos; dos ainda mais prósperos e dos desempregados; dos ladrões e dos roubados; dos enganadores e dos enganados; dos assassinos e dos assassinados; dos que sonham em cores e dos que mal dormem entre um pesadelo e outro.

Pois sucumbiremos todos juntos, inexoravelmente, se a ordem das coisas não sofrer uma radical mudança. Essa empreitada chamada vida, esse negócio chamado planeta está pré-falimentar. E, ao exalar o seu último suspiro, abrirá um ralo de incomensuráveis dimensões, um esgoto sem comportas, um caminho para o nada.

Portanto, quando chegarmos a esse preciso momento, esteja onde você estiver, em cima ou embaixo, CARPE DIEM.

Que isso ainda não nos ocorra em 2018.

Saúde e Harmonia para todos.

Boas Festas!

Os jovens de 1974

Olhos brilhando e sorrisos escancarados, a foto traduz o sentimento desses amigos e amigas de longa data. Como de hábito, os inacianos de 1974 realizaram o encontro de fim de ano. Nesse 14/12/2017 escolhemos o Uptown, na Ayrton Senna, pela informalidade do local, para reunir um grupo de parceiros de mais de meio século.

Não éramos muitos, apenas vinte e três, mas representamos aquelas duas centenas e meia, um time inteiro de beca há quarenta e três anos, a galera registrada como os Formandos 74, aqueles rostos juvenis e sorridentes até hoje no quadro exposto numa das alas do Colégio.

Abraços saudosos e apertados, beijos carinhosos, histórias novas e antigas, o rito dos encontros felizes se repetiu. Novidades marcantes as presenças do Bordallo, vindo de SP qual o Henrique Brandão, e do Ruy Cascardo, os três ausentes fazia tempo. E a visita do nosso globe-trotter, Baptista, motivador da mudança da data do evento, permitindo a sua chegada da Polônia.

Dispensável dizer da satisfação de todos, da multiplicação de cada um para conversar com todos os colegas presentes, do prazer de reencontrar o riso estampado no rosto das eternas meninas e dos descolados marmanjos. Continuamos felizes. Se não esbanjamos a energia das correrias pela escola, nos pátios do recreio, nos campos e nas quadras inacianas, ao menos mantivemos a mente aberta, a coluna ereta e o coração tranquilo.

A informalidade tomou conta do evento até o depoimento do Baptista, carregado de emoção e  de sinceridade, com a generosidade fraterna do compartilhamento. Nosso querido Luiz Fernando de Araújo Baptista, um cidadão do mundo, trabalhou em quatorze países e fez um relato de vida inspirador, daqueles privados aos amigos de cinquenta anos.

Colegas de sala de aula, onde sentamos lado a lado, sou suspeito para falar da integridade e da retidão do Bap, esse legítimo inaciano. Sua caminhada pelo mundo, entrecortada pelos riscos em Monterrey/México, pela vida equilibrada em Edmonton/Canadá, pelo comportamento cartesiano na Alemanha e pelo diagnóstico frio do médico jordaniano, dentre outros, dão conta de uma alma diferente, de um caráter forjado pela formação escolar e pelas exigências do destino.

Com certeza temos em comum com o Bap, os presentes ontem, os ausentes de ontem e de sempre, os de outro plano, a riqueza maior de um ser humano: a essência da vida. Diferenciados pelos nomes, pelas turmas, pelos números de chamada, pelas carreiras escolhidas, pelos caminhos mais ou menos árduos, na verdade somos muito semelhantes. Temos o espírito inaciano e por isso nos distinguimos em qualquer lugar.

Agradeço a cada alvorecer, quando abro os olhos e dou um beijo de bom dia na minha mulher. À noite agradeço por concluir mais uma etapa e beijo a minha companheira antes de dormirmos. Acordando nesse 14/12/2017 eu o sabia iniciar mais especial. Tarde da noite, o repouso do guerreiro exigia o recolhimento da sexagenária armadura. Ao meditar sobre mais uma jornada, me faltavam palavras para defini-la, ou melhor, para qualificá-la.

Acordei hoje com as lembranças do almoço inaciano e me ocorreu a melhor definição para elas: sou um privilegiado.

P.S.: Taraba, depois do bullying de ontem, resolvi retornar ao meu barbeiro e reclamar do “implante lateral”. Ele reconheceu a falha e acertou o corte. Agora só falta você aparar a sua franjinha.

Felipe

Bem-vindo, Felipe.
Você nem abrira os olhinhos e já percebera a emoção ao seu redor. Não por representar mais uma vida dentre as quase oito bilhões desse planeta e das mais de duzentos milhões desse país. Sua percepção aguçada, mesmo não expressada, observou nos sorrisos e nas lágrimas de felicidade o prenúncio de uma percorrida vitoriosa. E deve ter visto muitas outras pessoas. Embora invisíveis aos demais, você as enxergou eufóricas com o seu nascimento. Eles são os seus antepassados.
Confesso haver um enorme contraste entre a alegria pela sua chegada e o momento sombrio nesse mundo em geral, no Brasil em particular e no Rio de Janeiro em especial. Quem sabe a sua vinda traga o alento tão desejado, a mudança aguardada faz tempo, tornada possível por uma legião de anjos da guarda, por assim dizer.
Esse desafio gigante possui o tamanho de sua grandeza, a importância do seu caráter, a magnitude da sua vocação. Continuamos curiosos, pois desconhecemos as diversas facetas desse pequeno recém-chegado. Mas com certeza há quem saiba e nada possa antecipar. Eles permanecerão ocultos e silentes, mesmo convictos do seu sucesso.
Eles sabem que o seu nome sugere uma pessoa de bastante afinidade com a natureza e com os esportes em geral. Indica também uma capacidade incrível de se adaptar a novas situações e vencer os desafios que lhe são propostos.
Os sábios e informados antepassados conheceram em outro plano um conquistador histórico, seu xará de um passado remoto, na longínqua Macedônia. Por essas e outras, têm consciência do seu projeto, antes até de você concebê-lo. Antes mesmo da sua própria concepção, quando era apenas parte de Hugo e de Gisele.
Enfim, faça desse caótico ambiente a sua nova casa. Longe daquela harmonia dos últimos nove meses, o seu primeiro grande teste será se acostumar às desigualdades e aos péssimos hábitos de quem não tiver o seu sangue. As notícias parecerão surrealismo, as celebridades se mostrarão distanciadas da realidade e em sua maioria desinteressadas pelo destino dos mais humildes. Os governantes de países menos desenvolvidos roubam os cidadãos à luz do dia. Os mandatários das grandes potências buscam as guerras e/ou os confrontos fratricidas.
É, meu querido Felipe, se já lhe tiraram da zona de conforto, só lhe resta assumir a responsabilidade de somar esforços para mudar esse estado de coisas. O nome reforça a sua predestinação e os viajores do tempo estão certos de sua caminhada exitosa. A conexão com a centelha divina vira a chave da ignição do seu transporte para um mundo melhor. E nele caberá a humanidade de carona.
Não lhe faltarão Saúde, Equilíbrio e Amor para a consecução do seleto objetivo.
E a nossa torcida será toda sua.
Boa sorte.

Preconceito

Não posso reclamar da vida, exceto pelas perdas mais próximas e, portanto, mais sentidas. Embora fosse um menino suburbano estudando num colégio da elite do Rio de Janeiro, fui alvo de raros preconceitos, de registro irrelevante. Mas, ao longo da percorrida por essas plagas terrenas, testemunhei comportamentos revoltantes, tratamentos asquerosos, segregação de todos os tipos. Sou forçado a reconhecer a injustiça reinante no mundo.

Mesmo na inexistência de regras, et pour cause, não são poucos os indivíduos a se julgarem superiores aos outros por algum motivo. Ao contrário, eles são muitos, espalhados pelos mais diversos setores e camadas sociais. Por ironia, muitos estão incluídos no próprio alvo das injúrias e sequer conseguem se dar conta disso, tamanha a sua desfaçatez.

Passa o tempo, se estabelecem neologismos e rótulos, contudo o comportamento persiste e o ser humano resiste às lições do cotidiano. Não me preocuparei com terminologias ditas politicamente corretas, em razão delas não resolverem o problema. A solução está na atitude, muito mais forte e presente do que as palavras. Até porque, se não há eurodescendente não deveria existir afrodescendente. Na verdade, há pessoas, pouco importando se brancas, amarelas, negras, mulatas, mamelucas ou índias.

Sou filho de um negro bonito, dotado de um QI diferenciado. De origem humilde, meu pai carregou muitas caixas de cerveja em sua adolescência/juventude, ajudando ao padrasto num comércio pequeno. Aluno aplicado, com graduação em Contabilidade, fez carreira numa grande e famosa empresa, pertencente a uma família judia. Só não alcançou a diretoria porque faleceu cedo, aos quarenta e um anos. Era então o Contador do conglomerado composto por uma grande rede de lojas, uma construtora e hospitais.

Tenho muito orgulho dessa ascendência e fico imaginando o meu pai frente ao preconceito. Não me recordo de algo nesse sentido e nem chegamos a conversar sobre esse tema, talvez por nos ter faltado tempo. Mas, com certeza, isso ocorreu em sua vivência entre as décadas de trinta a setenta, num país que ainda hoje, em pleno século 21, mal disfarça a segregação racial.

Apesar das histórias de sucesso de gente de todas as raças, gêneros, credos e cores, sobrevive no inconsciente coletivo um mórbido desejo de submeter os outros aos caprichos de suas idiossincrasias. Sou otimista por natureza, talvez pelo sorriso quase permanente do destino. Confesso, porém, a desesperança de viver num mundo melhor, sem a excrescência de qualquer preconceito, inclusive o exercido ao contrário, por quem o enxerga maiúsculo aonde sequer existe.

Se o esporte aprimora corpos e mentes, a maior ginasta do mundo é Simone Biles; o tetracampeão Lewis Hamilton é o atual campeão da Fórmula 1; Usain Bolt, o maior velocista de todas as eras;  Serena Williams, rainha no tênis; Pelé, o Rei, atleta do século passado e o maior jogador de futebol da história; Michael Jordan, o maior jogador de basquete de todos os tempos.

Martin Luther King, Sidney Poitier, Ella Fitzgerald, Ray Charles, Nelson Mandela, dentre tantos outros, além de Barack Obama, presidente da maior economia mundial e, muitos, muitos outros negros e negras ocuparam, ocupam e ocuparão posições de destaque no mundo, queiram ou não queiram os idiotas de plantão.

Mesmo com a discriminação dos ignorantes, preferindo ignorar a existência de diversos protagonistas negros na história da humanidade, a raça negra permanecerá oferecendo personagens proeminentes em todas as áreas de atuação. O talento e a inteligência não possuem nuances de cor, se evidenciam pela importância e pelo brilhantismo, independendo das sombras à espreita.

A consciência não é negra, branca, parda ou amarela,.

Nem tão somente hoje.

É consciência sempre.